A ex-sprinter britânica luta contra a encefalomielite miálgica, doença crónica debilitante após diagnóstico de COVID-19.

A ex-atleta olímpica Beth Dobbin, de 32 anos, enfrenta uma batalha diária contra uma doença crónica grave que a obriga a permanecer acamada por pelo menos 22 horas por dia. A velocista retirou-se do atletismo em abril deste ano após perceber que a sua saúde havia se deteriorado drasticamente nos últimos meses.

Ela representou a Grã-Bretanha nos Jogos Olímpicos de Tóquio na prova dos 200 metros, chegando às meias-finais, além de conquistar uma medalha de bronze pela equipa escocesa nos Jogos da Commonwealth de 2022, realizados em Birmingham, conforme informação divulgada por revista atletismo.

Em novas declarações à BBC Sport, a ex-desportista detalhou o impacto severo da condição na sua rotina, afirmando que perdeu tudo e que o seu futuro parece muito sombrio devido à escassez de tratamentos específicos para o problema.

O impacto da COVID-19 e da mononucleose

Os problemas de Beth Dobbin começaram durante o inverno de 2021 e 2022, período em que foi diagnosticada com COVID-19 e, logo em seguida, com mononucleose infecciosa. A Federação Britânica de Atletismo não conseguiu detetar o problema inicialmente.

Mesmo sentindo dores nas glândulas e tempos piores nas pistas, ela continuou a competir ao longo de 2022. No entanto, após ser desclassificada no Campeonato Europeu por uma falsa partida, ela admitiu publicamente que o seu corpo já não respondia como antes.

Sintomas da encefalomielite miálgica

A encefalomielite miálgica, conhecida como EM, afeta múltiplos sistemas do corpo e provoca fadiga extrema, distúrbios do sono e dificuldades de concentração. Pacientes também sofrem de mal-estar pós-esforço, onde os sintomas pioram com atividades mínimas.

Beth Dobbin relatou que até mesmo ficar sentada por períodos prolongados consome toda a sua energia. Por esse motivo, ela prefere manter-se deitada na cama com a cabeça apoiada para conseguir tolerar os sintomas diários.

Falta de tratamentos e dever de conscientização

Atualmente, não existem medicamentos específicos para tratar a síndrome da fadiga crónica, exigindo planos personalizados para cada paciente. Investigações de 2025 apontam centenas de milhares de afetados no Reino Unido, muitos associados a infeções prévias de COVID-19.

Apesar da situação devastadora, a ex-atleta destaca que possui uma pequena plataforma pública e sente o dever de falar sobre o assunto para dar visibilidade aos milhares de doentes que enfrentam a mesma batalha sem voz.

Perguntas Frequentes

O que é a encefalomielite miálgica que afetou Beth Dobbin?

A encefalomielite miálgica, ou EM, é uma condição crónica debilitante que causa fadiga extrema, problemas de sono e mal-estar pós-esforço após atividades físicas ou sociais.

Por que Beth Dobbin abandonou o atletismo?

A ex-sprinter britânica retirou-se do desporto em abril após sofrer com uma grave deterioração na saúde causada pela síndrome da fadiga crónica e complicações pós-COVID.

Quantas horas por dia Beth Dobbin passa acamada?

Devido à gravidade dos sintomas da encefalomielite miálgica, Beth Dobbin permanece acamada por pelo menos 22 horas por dia.