Quase 58 anos após decidirem o título continental, o Palmeiras voltará a enfrentar o Estudiantes na final da Copa Libertadores de 2026. O duelo que definirá a taça ocorrerá no dia 28 de novembro, no Estádio Centenário, situado em Montevidéu, no Uruguai. Naquela ocasião histórica, os argentinos levaram a melhor e faturaram o primeiro caneco continental de sua trajetória.
A definição do campeão sul-americano reedita um dos momentos mais marcantes do torneio, quando as equipes precisaram de três partidas para desempatar a disputa. O embate envolveu confrontos em La Plata e no Pacaembu, culminando na partida extra realizada em solo uruguaio, onde a consistência tática dos visitantes prevaleceu.
A batalha histórica no Uruguai em 1968
Na edição de 1968, o regulamento não contemplava o saldo de gols como critério de desempate, o que obrigou os finalistas a realizarem um terceiro jogo em campo neutro. O Estudiantes havia vencido o primeiro duelo por 2 a 1, enquanto o Palmeiras triunfou na segunda partida por 3 a 1.
O confronto derradeiro aconteceu no dia 16 de maio, no Centenário. Com tentos anotados por Felipe Ribaudo e Juan Ramón Verón, os argentinos ganharam por 2 a 0. Vale destacar que Juan Ramón Verón marcou em todos os jogos daquela final e deixou um legado familiar eternizado no clube de La Plata.
O peso da herança e o fator familiar
A figura de Juan Ramón Verón carrega um simbolismo profundo para a história do Estudiantes, refletindo-se até os dias atuais na estrutura diretiva da instituição. O ex-atacante é pai de Juan Sebastián Verón, que assumiu posteriormente a posição de presidente da equipe alvirrubra.
Esse elo temporal conecta o passado glorioso dos gramados sul-americanos à gestão moderna do clube argentino. O reencontro no mesmo estádio após mais de cinco décadas adiciona uma camada extra de dramaticidade e respeito mútuo entre as torcidas tradicionais do continente.
A cobertura jornalística e o impacto anímico
A derrota do clube brasileiro em 1968 repercutiu intensamente na imprensa da época, registrando o descontentamento e a autocrítica dos atletas alviverdes. Na edição de A Gazeta Esportiva veiculada logo após o desempate, o periódico destacou a superioridade momentânea do rival e a atmosfera vivida no Uruguai.
Ícones da equipe paulista, a exemplo do meio-campista Dudu, reconheceram publicamente que o time acabou caindo na estratégia adversária logo após sofrer o primeiro gol. A cobertura também eternizou a viagem dos torcedores brasileiros que cruzaram fronteiras para apoiar o elenco no país vizinho.
Perspectivas para o novo capítulo continental
O retorno ao mesmo gramado histórico permite que o Palmeiras busque uma reparação esportiva diante do mesmo oponente que frustrou suas aspirações no século passado. A expectativa para o confronto de 28 de novembro mobiliza especialistas e torcedores em torno de um dos maiores clássicos do futebol sul-americano.
Enquanto o clube paulista tenta consolidar sua hegemonia recente no torneio, a equipe de La Plata aposta na mística acumulada ao longo de sua rica tradição na competição. O gramado do Centenário testemunhará mais um capítulo definitivo dessa rivalidade transnacional.

