A Polícia Civil do Estado de São Paulo deflagrou, nesta terça-feira, uma operação estratégica voltada ao desmantelamento de um esquema de cambismo digital que afetava a comercialização de ingressos para partidas do Palmeiras. A ação foi motivada por um pedido formal de instauração de inquérito realizado pela presidente do clube, Leila Pereira, visando proteger o acesso dos torcedores aos jogos realizados no estádio como mandante.

Investigação sobre o uso de tecnologia no cambismo digital

A ofensiva policial foi conduzida pelo delegado Cesar Saad, titular da Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (DRADE), órgão vinculado ao Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE). O trabalho contou com suporte direto da auditoria interna do clube, que detectou, ainda no início deste ano, o uso de robôs automatizados, conhecidos como bots, para a aquisição massiva de bilhetes.

Essa prática tecnológica impedia que torcedores comuns conseguissem realizar a compra pelos canais oficiais de venda. A apuração revelou que o grupo criminoso utilizava cadastros de terceiros de forma indevida, revendendo os ingressos em plataformas não autorizadas por valores significativamente superiores aos preços tabelados pela instituição.

Mandados de busca e apreensão em São Paulo

Durante a operação realizada nesta terça-feira, agentes cumpriram 15 mandados de busca e apreensão. A ação abrangeu endereços situados na capital paulista, além de cidades localizadas no interior e na Região Metropolitana de São Paulo. Entre os itens recolhidos estão aparelhos celulares, notebooks e documentos que detalhavam cadastros de torcedores vinculados ao sistema de reconhecimento facial.

O material apreendido será submetido a uma análise detalhada por parte das autoridades. O objetivo central é mapear a extensão da rede criminosa, identificar todos os participantes do esquema e determinar a responsabilidade individual de cada envolvido na fraude contra o sistema de bilhetagem do Palmeiras.

Armamento e desdobramentos da ação policial

Um dos pontos críticos da operação ocorreu durante o cumprimento de um dos mandados, quando policiais encontraram uma arma de fogo calibre .22 com a numeração suprimida na residência de um dos investigados. Além do armamento, foram localizadas munições de diversos calibres, incluindo projéteis de 9mm e de fuzil.

Diante do flagrante, as autoridades adotaram as medidas cabíveis de polícia judiciária, incluindo o pedido de prisão em flagrante. A investigação segue em curso para esclarecer como o armamento se conecta com a organização criminosa e se há outros desdobramentos relacionados à segurança pública em torno do grupo investigado.

​‌​