A Seleção Brasileira finalizou sua recente Data Fifa com uma vitória por 4 a 0 sobre a Índia, em partida disputada neste sábado, em Calcutá. Apesar do placar elástico, o desempenho apresentado pela equipe comandada pelo técnico Carlo Ancelotti levantou questionamentos sobre a consistência do time, que demonstrou dificuldades em impor um ritmo de jogo dominante diante de um adversário tecnicamente inferior.
Estratégia ofensiva e dependência das pontas
O Brasil iniciou o confronto com uma proposta clara de explorar a velocidade pelos flancos, buscando acionar Vini Jr. com frequência na ponta esquerda. A liberdade concedida pela defesa indiana nos minutos iniciais permitiu que o atacante avançasse com facilidade, embora a equipe tenha perdido intensidade ao longo da primeira etapa.
O primeiro gol surgiu justamente de uma jogada lateral, quando Estevão aproveitou assistência de Matheuzinho para finalizar com precisão. A dobradinha entre o lateral e o atacante do Chelsea voltou a ser decisiva no segundo tento, com um passe em profundidade que deixou Pedro em condições de ampliar a vantagem antes do intervalo.
Queda de rendimento e instabilidade tática
O segundo tempo revelou uma queda acentuada na produtividade da Seleção. A equipe demorou a registrar finalizações e permitiu que a Índia, aproveitando o ritmo lento do jogo, ameaçasse a meta brasileira em duas oportunidades logo nos minutos iniciais da etapa complementar.
Apesar da falta de brilho coletivo, o Brasil conseguiu consolidar o placar com a entrada de Samuel Lino. O jogador substituiu Vini Jr. — que teve atuação discreta — e marcou os dois últimos gols, selando a goleada que, embora expressiva nos números, não refletiu uma superioridade técnica convincente em campo.
Balanço do ciclo e perspectivas futuras
O encerramento deste período de amistosos deixa um sinal de alerta para a comissão técnica. Mesmo com a introdução de novos nomes no elenco, o rendimento geral da equipe ao longo da Data Fifa foi considerado abaixo do esperado, especialmente considerando o início do ciclo preparatório para a Copa do Mundo de 2030.
O histórico recente reforça a irregularidade da equipe. Antes do triunfo sobre a Índia, o Brasil precisou de um gol de Rayan nos minutos finais para evitar um revés contra a Austrália e, em um segundo confronto contra os australianos, chegou a sofrer uma virada parcial antes de reverter o placar para 4 a 2. A sequência de resultados positivos não tem sido acompanhada por atuações que transmitam segurança ao torcedor.

