A Comissão de Ética e Disciplina do Corinthians determinou que o procedimento administrativo envolvendo o presidente interino Osmar Stabile passe a seguir o rito de destituição previsto no Estatuto Social do clube. A medida foi assinada por Leonardo Pantaleão e não representa o afastamento imediato do dirigente nem o reconhecimento de qualquer infração administrativa.
O despacho aponta elementos que, em tese, podem se enquadrar em hipóteses estatutárias, como o suposto uso de serviços de segurança custeados pela instituição para atender interesses particulares, inclusive de familiares. A investigação também aborda possíveis falhas em processos de contratação e na documentação exigida para acordos comerciais.
Apuração de contratos e serviços de segurança
O documento menciona uma possível irregularidade em processos de contratação analisados durante a apuração interna. Segundo a Comissão, não foram apresentados os três orçamentos exigidos pelo Estatuto Social para determinadas contratações, tampouco a documentação que comprovaria eventual dispensa desse procedimento pelo Conselho de Orientação.
Outro ponto de destaque envolve a contratação e manutenção dos serviços da empresa Bear Security. Conforme o despacho, não foi comprovada nos autos a autorização da Polícia Federal para que a empresa exercesse atividade de segurança privada, circunstância que pode caracterizar ato de gestão irregular ou temerária.
Tramitação estatutária e prazos da defesa
A Comissão rejeitou o pedido da defesa de Osmar Stabile para a obtenção de prazo adicional com o objetivo de analisar documentos do processo. De acordo com o órgão, as propostas comerciais e a análise de integridade já estavam disponíveis antes da apresentação da defesa escrita, tornando desnecessária a concessão de novo período.
Com a alteração do rito, o dirigente terá o prazo de dez dias, contados a partir da intimação, para apresentar defesa específica sobre as novas hipóteses levantadas e indicar eventuais provas. Após esta etapa, o procedimento seguirá os trâmites normais previstos para casos de destituição.
Contexto da investigação disciplinar
O procedimento foi instaurado inicialmente para apurar contratos de segurança firmados durante a gestão de Osmar Stabile. Ao longo do processo, foram reunidos documentos, realizadas diligências e promovida audiência de instrução para ouvir as partes envolvidas.
A decisão atual apenas reconhece a existência de elementos suficientes para aprofundar a análise sob a ótica estatutária, garantindo ao dirigente o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa antes de qualquer deliberação definitiva sobre o cargo.

